Sobre

A Saga de Gravatahyé um RPG de mesa que combina elementos históricos e fantásticos, criando uma narrativa ambientada na região sul do Brasil, em meados do século XVIII. Também foi criada no projeto com recursos da Lei 14.399/2022 – Política Nacional Aldir Blanc, via Edital de Fomento da Prefeitura de Gravataí/2024.

Inspirado na história da cidade de Gravataí e pela cultura indígena dos Carijó, que habitavam a região, o jogo leva os jogadores a interpretarem personagens conectados com a terra e o sobrenatural. Usando habilidades herdadas do Sangue Celestial e do vínculo com a natureza, os personagens devem enfrentar as ameaças dos invasores (Necromares), forças sobrenaturais e profecias de destruição do sagrado Gravatahy.

Este RPG mistura quatro subgêneros literários para compor um mundo fantástico chamado Gravatahy. O primeiro deles é uma fantasia não épica, com menos efeitos da magia, do subgênero Espada & Feitiçaria. O segundo, considera a História Alternativa, com uma abordagem de ficção científica especulativa, abrindo a possibilidade de novos desfechos para determinados eventos históricos. O terceiro, procura recriar uma ambientação de Faroeste Sombrio (tradução livre de weird western), onde criaturas sobrenaturais existiam na conquista do oeste norte-americano. E, por último, busca um tom de realismo mágico latino-americano, tão popularizado nas sombras do colombiano Gabriel Garcia Márquez. Macondo é uma inspiração.

É Importante destacar que se trata de um cenário ficcional fantástico, inspirado em elementos da história e da cultura da cidade de Gravataí, criado como pano de fundo para narrativas lúdicas, épicas, capazes de despertar memórias afetivas nos jogadores. Citar diabos, demônios e rituais em nenhum momento tem uma intenção de ofender, mas sim abraçar elementos típicos da mitologia da região. É muito comum histórias populares de fantasmas, assombrações, bruxas, lobisomens e diabos. Caso algum grupo ou pessoa, por qualquer motivo, se sinta desconfortável com esses temas, pedimos compreensão e reforçamos que não há qualquer intenção de desrespeito. O propósito é criar uma história divertida, em que todos os participantes se sintam confortáveis.

Vale destacar que essa obra não trata todos os aspectos sobre esta temática. Existem aspectos incompletos e questões em aberto que exigem aprofundamento e debates entre os coletivos sociais e historiadores. Há também outras perspectivas narrativas interessantes e ricas, repletas de histórias para serem contadas. Logo, complementos devem ser lançados para preencher as lacunas do cenário de Gravatahy.

É um desafio conseguir representar todas as ancestralidades, mas as informações encontradas foram utilizadas da forma mais completa possível, contando com o apoio de um grupo de consultores. Não é possível reconstituir o passado de forma absoluta, devido às muitas perspectivas de diferentes elementos históricos. Dessa forma, trabalha-se com a verossimilhança. Ainda assim, mantemos o conteúdo aberto, com o objetivo de corrigir falhas e fazer correções necessárias.

Por último é importante lembrar que você não tem em mãos uma única história, mas uma ferramenta capaz de gerar diversas narrativas. É preciso contar e recontar os relatos dos antepassados:  indígenas, africanos e também açorianos, considerando todas as riquezas ancestrais que serviram de base para a formação da ampla cultura brasileira, sul-rio-grandense e gravataiense. 

Conheça a cidade de Gravataí

Gravataí está situada na região metropolitana de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Fica a cerca de 30 km de Porto Alegre, abrange uma área de aproximadamente 468 mil km2 e tem em torno de 265 mil habitantes. A Aldeia dos Anjos, primeiro povoado do município, foi fundada em torno de 1760, mas recebeu status de vila somente em 1880, quando foi denominada Gravatahy. Seu processo de industrialização foi alavancado 200 anos depois, na década de 1960. Atualmente é reconhecida pelo seu pólo industrial, onde operam muitas empresas multinacionais, como a fábrica da General Motors. Sua população é composta principalmente pelos trabalhadores que atuam nestas empresas e o comércio da cidade também é bastante fortalecido.

O território abriga a maior parte de uma das bacias hidrográficas mais importantes da região, pertencente ao Rio Gravataí, que desemboca no lago Guaíba. Gravataí é muito conhecida pelo Morro Itacolomi, um de seus principais pontos turísticos, e por suas bromélias, plantas muito comuns às margens do rio que dá nome a cidade – gravatahy, o rio dos gravatás em tupi-guarani.

É importante destacar que a cidade é bastante conhecida pela colonização açoriana e pelos indígenas Guarani missioneiros que foram levados para a cidade após a Guerra Guaranítica. Contudo, essa região já era ocupada pelos Carijó que migraram do Paraguai para o litoral brasileiro ocupando principalmente as áreas mais ao sudeste e sul do Brasil. Também havia uma presença significativa dos africanos escravizados, que atuavam na plantação de mandioca e nos moinhos, para produção de farinha. Gravataí possui o Quilombo Manoel Barbosa que representa um ponto de resistência muito importante na região.